Comemorar o Dia dos Pais com a família reunida em volta de uma mesa farta parece um costume antigo, mas a data como conhecemos hoje é fruto de uma construção histórica fascinante. Entre homenagens afetuosas e estratégias de comunicação, o segundo domingo de agosto consolidou-se no Brasil como o momento perfeito para desacelerar e celebrar a figura paterna através da gastronomia.
Entenda como uma iniciativa individual do século XX se transformou em uma das tradições mais saborosas do nosso calendário.
Do gesto de uma filha ao reconhecimento oficial
A história do Dia dos Pais começou no início do século XX, nos Estados Unidos. Em 1909, Sonora Smart Dodd, filha do veterano da Guerra Civil William Jackson Smart, decidiu criar uma data especial para homenagear o pai. Ele havia criado Sonora e seus cinco irmãos sozinho após a morte da esposa.
Inspirada pelo recém-criado Dia das Mães, Sonora queria reconhecer a dedicação e o carinho paterno. A primeira celebração oficial aconteceu na cidade de Spokane, em Washington, no dia 19 de junho de 1910. A ideia ganhou força gradualmente, até ser oficializada nacionalmente nos EUA pelo presidente Richard Nixon em 1972.
A chegada ao Brasil e a escolha do mês de agosto
No Brasil, a celebração teve uma origem diferente, ligada ao meio jornalístico e publicitário. Em 1953, o jornalista Sylvio Bhering, então diretor do jornal O Globo e da Rádio Globo, introduziu a data no país.
O objetivo inicial era homenagear a família e fortalecer os laços afetivos, além de movimentar o comércio no segundo semestre. A primeira comemoração brasileira ocorreu em 16 de agosto de 1953, dia de São Joaquim, considerado o patriarca da família e avô de Jesus segundo a tradição católica.
Nos anos seguintes, a data foi ajustada para ser celebrada fixamente no segundo domingo de agosto, facilitando a reunião das famílias no final de semana.
Por que a celebração virou sinônimo de mesa cheia?
Ao longo das décadas, o ato de presentear ganhou um acompanhante ainda mais valioso: o tempo de qualidade. E na cultura latina e mediterrânea, não existe forma mais autêntica de compartilhar afeto do que ao redor de uma boa refeição.
- A mesa como ponto de encontro: O almoço de Dia dos Pais tornou-se o centro da comemoração. É o momento em que diferentes gerações se sentam juntas, compartilham memórias e celebram a trajetória do patriarca.
- O aconchego da gastronomia: Um prato bem executado carrega memória afetiva. Servir um almoço especial nesse dia é uma forma direta de retribuir o cuidado e o carinho recebidos ao longo do ano.
- A pausa na rotina: Diferente de outras datas comemorativas, o Dia dos Pais mantém um caráter intimista, focado na conversa sem pressa e nos brindes prolongados.
Seja com uma receita tradicional passada de geração em geração ou em um restaurante acolhedor, celebrar o Dia dos Pais ao redor da mesa continua sendo o melhor presente: a presença.


